Se as mulheres são maioria na comunicação, por que a maternidade ainda afasta talentos do mercado?

Alessandra Vale

Tendências & Insights

A presença feminina cresceu nas agências, mas isso não significa que o mercado tenha se tornado mais inclusivo.

Existe uma contradição relevante existente no mercado de comunicação que merece mais atenção.

As mulheres já são maioria entre os profissionais com vínculo nas agências de publicidade brasileiras. Entre 2014 e 2024, a participação feminina passou de 48% para 55,5%, segundo levantamento da Pride Content baseado em dados da RAIS/PDET. Ao mesmo tempo, a desigualdade salarial permanece: entre os 10% mais bem pagos, homens recebem entre 8,7% e 18,6% mais do que mulheres.

Ou seja: elas chegaram. Mas ainda não ocupam o mercado nas mesmas condições.

Existe uma questão ainda mais delicada nessa equação, o que acontece quando essas profissionais se tornam mães?

O fato é bem claro, a maternidade ainda é tratada como uma interrupção de carreira

Para muitas mulheres, ter filhos ainda significa enfrentar uma escolha que homens dificilmente precisam fazer nos mesmos termos, continuar crescendo profissionalmente ou adaptar a carreira à nova realidade familiar.

O problema não está na maternidade, está em um mercado que ainda tem dificuldade de acomodar diferentes formas de trabalhar.

Segundo pesquisa do Empregos.com.br de 2025, 56% das mães brasileiras são demitidas após o retorno da licença-maternidade e 60% estão fora do mercado de trabalho.

E essa discussão fica ainda mais relevante quando olhamos para o próprio papel que as mulheres desempenham na economia e na sociedade.

As mulheres estão no centro das decisões, mas quem está olhando para elas?

Recentemente, uma pesquisa sobre mulheres e apostas online mostrou que 54% das brasileiras são afetadas pelas bets: 42% já apostaram ou apostam e outras 12% não jogam, mas convivem com alguém da família que aposta. Entre as mulheres, a busca por renda extra aparece como uma das principais motivações para apostar.

O dado chama atenção não apenas pelo fenômeno das apostas, mas pelo que revela sobre renda, família, comportamento e contexto econômico das mulheres brasileiras.

É esse tipo de complexidade que o mercado de comunicação precisa compreender.

Marcas querem entender mulheres. Criam campanhas para mulheres. Desenvolvem produtos para mulheres. Analisam seus hábitos, desejos, dores e decisões de consumo.

Mas existe uma pergunta anterior, afinal, quantas dessas mulheres estão dentro dos times responsáveis por construir essas estratégias?

Ter mulheres na comunicação não deveria ser apenas uma questão de representatividade. É também uma questão de repertório, negócio e qualidade da tomada de decisão.

Presença não é poder. E presença não é permanência.

O estudo da Pride Content tem um nome que resume bem esse paradoxo: “Presença não é poder”.

A participação feminina cresceu nas agências, mas as mulheres continuam enfrentando desigualdade salarial, especialmente nos cargos mais bem remunerados. Na criação, por exemplo, a participação feminina também aumentou, mas elas ainda são minoria na área.

E há outra camada que os números de participação não conseguem explicar sozinhos: quantas dessas profissionais conseguem permanecer no mercado depois que se tornam mães?

Uma carreira não é construída apenas no momento da contratação, ela é construída também pela possibilidade de continuar trabalhando, assumir novos projetos, ocupar posições de liderança, atualizar conhecimentos e ser considerada para novas oportunidades.

Quando a maternidade interrompe esse ciclo, o mercado não perde apenas uma profissional, perde conhecimento acumulado, experiência e diversidade de perspectivas.

E, muitas vezes, perde justamente profissionais seniores que poderiam contribuir para decisões mais estratégicas.

O futuro do trabalho precisa caber na vida real

Talvez parte da resposta esteja em parar de pensar que todo talento precisa estar disponível dentro do mesmo modelo de contratação.

A evolução do trabalho trouxe novas possibilidades: projetos, freelas, posições fixas, outsourcing, squads e modelos mais flexíveis de contratação.

Isso não significa precarizar relações de trabalho ou criar soluções diferentes para mães simplesmente porque são mães.

Significa reconhecer que talentos diferentes podem precisar de formatos diferentes para continuar entregando valor.

Para uma empresa, isso também significa ampliar o acesso a profissionais que poderiam ficar invisíveis nos processos tradicionais de recrutamento.

No mercado de marketing e comunicação, em que experiência, repertório e especialização fazem diferença, deixar profissionais qualificadas fora do radar é uma decisão que pode custar caro.

A maternidade não deveria interromper uma carreira

Foi a partir desse desafio que a HUG e a Coisa de Mãe, consultoria referência em empregabilidade materna somaram esforços para potencializar as oportunidades para as mães..

A parceria reúne a expertise da HUG em hunting e outsourcing de talentos com a comunidade de mais de 200 profissionais mães curadas pela Coisa de Mãe. Essa rede amplia o acesso de empresas e agências a profissionais de áreas como estratégia, criação, redação e design, para posições fixas, projetos e trabalhos freelancers.

Mais do que criar um banco de talentos, a iniciativa parte de uma premissa simples: talento não desaparece quando nasce um filho.

O que muitas vezes desaparece é o acesso desse talento às oportunidades e é justamente essa ponte que precisa ser reconstruída.

Se o mercado de comunicação quer falar melhor com as mulheres, precisa também criar espaço para que mais mulheres continuem construindo a comunicação.

Se as empresas querem equipes mais diversas, precisam olhar para os talentos que os modelos tradicionais de contratação deixam pelo caminho.

Contratar mães não deveria ser uma exceção, deveria ser parte de uma estratégia inteligente de talentos.

A parceria entre HUG e Coisa de Mãe é um passo nessa direção: transformar uma rede de profissionais qualificadas em novas possibilidades de trabalho, conectando mães a empresas e agências que precisam de talento seja para uma posição fixa, um projeto ou uma demanda pontual.

O mercado não precisa de melhores caminhos para que elas continuem trabalhando.



Se você é mãe e atua, ou já atuou com marketing, comunicação e áreas relacionadas, cadastre seu perfil no banco de talentos da HUG + Coisa de Mãe.

A partir da nossa curadoria, vamos conhecer sua experiência, especialidades e momento profissional para possíveis conexões com clientes e parceiros, seja em posições permanentes, projetos, freelas ou trabalhos sob demanda.

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdWcuM0UV926ta2mFtP48-9YppcKA83MnmuSSxh4XPIdWUO2w/viewform

Precisa de um talento ou tirar um projeto do papel? Fale com a HUG!

Precisa de um talento ou tirar um projeto do papel? Fale com a HUG!

Nossos

parceiros

NEWSLETTER

Acompanhe novidades, oportunidades

e tudo que acontece na comunidade HUG.

Assine a newsletter

© 2026 HUG. Todos os direitos reservados

Website por

Nossos

parceiros

NEWSLETTER

Acompanhe novidades, oportunidades

e tudo que acontece na comunidade HUG.

Assine a newsletter

© 2026 HUG. Todos os direitos reservados

Website por